quinta-feira, 28 de junho de 2007

Vertical e Horizontal




Muitas vezes quando se está fotografando você entende que a melhor opção para uma foto é vertical ou horizontal. Em jornal, por causa do modo como é feito hoje em dia, onde se diagrama antes de se saber como são as fotos, é mais que importante aprender a encaixar um ovo em buraco quadrado. A verdade é que se você procurar, acaba achando opções interessantes. E como dizia um companheiro de JB foto boa é foto publicada. E a horizontal é que a Folha de SP deu hoje no esporte.




Ah, o assunto era um teste de luzes no novo estádio do Maracanazinho. E para esse teste chamaram o Bernard criador do jornada nas estrelas para repetir sua criação no palco onde ela nasceu - acho eu. E eu confesso que nunca fotografei em uma quadra com tanta luz - 1/500, f/5.6 com asa 800. Quero ver se um ano depois ainda vai ter essa luz toda.

Foto: Rafael andrade / Folha Imagem


sábado, 23 de junho de 2007

Sempre Alerta


Tenho um camarada que sempre fala que o que ele realmente gosta é de nas grandes coberturas fazer aquela imagem que deixa todo mundo para trás. E acho que quase todo fotojornalista pensa assim.

Mas esta profissão se faz em geral de solidão, silêncios e paciência. As grandes coberturas não acontecem todos os dias, nem se participa de todas que estão rolando. Boa parte do tempo trabalhamos sem coleguinhas e competição em cima de um assunto. Nessa hora, tem uma qualidade que um bom profissional deve fazer aparecer. É o que alguns chamam de "trazer a foto". É a capacidade de num "vôo solo" trazer para a redação aquela imagem que não é esperada. Aquelas fotos que surpreendem porque ninguém achou que o que você estava fazendo ia dar em algo.

Essa capacidade se desenvolve com o tempo, mas requer sobretudo a concentração, paciência e devoção ao que se faz. Nas grandes coberturas é uma capacidade pouco desenvolvida porque em geral há um clima de competitividade e tensão causado pelo assunto e pela quantidade de coleguinhas envolvidos, que além de inibir, mantém o pato novo sempre de olho na água.

Gosto muito desta foto que posto agora. Porque faz parte de uma operação de recolhimento de menores que a gente pôde acompanhar e que deu um bom resultado em termos de imagem. É aquele dia onde nem você acredita nas fotos que fez. É nestas horas que você chega na redação e o chefe te dá aquele tapinha nas costas, sorri e te fala: "então, tem um bonequinho ali em madureira para economia duas horas depois do fim do teu horário... Faz lá prá gente..."

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Ludopédio

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Todo mundo fala que o fotojornalismo morreu na era da TV. Que a era de ouro da fotografia noticiosa ficou para trás. Besteira. Em certas áreas do jornalismo, foto ainda é muito mais legal que imagem em movimento. Por que? Pensa nas transmissões de futebol na TV. Em geral, as imagens mais legais são aquelas em câmera lenta, mais fechadas, que mostram coisas que o "olho nu" percebe pouco. O suor voando do corpo do atleta na hora da cabeçada, a dividida ríspida em que pedaços de grama voam para todos os lados.

No entanto, o mais legal da fotografia de esportes é justamente o mais difícil. É quando se consegue capturar, congelar, aquele momento breve entre os movimentos cada vez mais rápidos dos jogadores. E confesso essa é uma área que eu ainda quero trabalhar melhor. Mas enquanto seu lobo não vem publico esse lance do Flamengo e Potosi pela Libertadores da América.


Foto: Rafael Andrade / Agência O Globo

sábado, 16 de junho de 2007

Simplifica, menino.


Tem épocas em que se trabalha muito, mas as fotos não aparecem. Tem também épocas em que as fotos são publicadas mas você não está feliz com isso. E em comum com todas essas épocas estão dois conhecimentos: (parafraseando o Millôr) dinheiro independe e a gente está sempre com a impressão de que pode fazer melhor.

Mas as vezes, na verdade, quase sempre, muitas fotos bacanas estão em coisas bobas. E em geral, eu tendo a gostar de coisas simples. Sempre penso nas fotos do Custódio, do Evandro, do Sam Abell e sei que é prá onde eu quero ir.

A foto é de uma cooperativa de produção de artesanato com fibras naturais em Quissamã. Foi feita para uma pequena editora que tinha um contrato com a prefeitura de lá.


Foto: Rafael Andrade / Rafael Andrade Serviços Fotográficos

sábado, 9 de junho de 2007

Voando


Um chefe que eu tive há algum tempo dizia que quando ele era fotógrafo, seu editor falava que o bom fotojornalista era como uma águia. Sobrevoava a cena, ou o lugar onde a notícia estava acontecendo, e conseguia ver um pouco de cada coisa, produzindo fotos variadas que mostram o maior número de situações daquele assunto. O meu chefe dizia o que seu chefe dizia. E eu aprendi que nesta profissão antiguidade realmente é posto.

Apesar de achar a comparação com uma águia um pouco imprecisa, acho que muitas vezes, principalmente quando se é muito novo e inseguro, concentramo-nos demais em determinado aspecto de uma cobertuta porque aquela visão parece mais familiarmente jornalística. Parece ser a notícia mais clara. Muitas vezes não é. Erros de julgamento acontecem. Bastante. E muitas vezes no "calor da ação" temos dificuldade em discernir o que acontece, ou mesmo, ver de forma diferente o que está na frente dos olhos. Nariz de cera a parte, a foto abaixo é só porque sempre que estou na rua lembro do que dizia esse meu chefe.

No feriado de Corpus Christi fui a Niterói pelo Extra para cobrir um assunto e acabei na Amaral Peixoto onde fazem esses tapetes de sal. Depois fazer um registro, lembrei dessa comparação com a águia. E entrei no terceiro andar de uma delegacia para fazer um vôo sobre o assunto. A foto infelizmente não foi publicada. Ossos do Ofício. Voar pode te dar muitas opções, mas entre fotografar e publicar vai uma distância quem muitas vezes nem a águia é capaz de transpor...
Foto: Rafael Andrade / Agência O Globo